ARTIGOS CIENTÍFICO-O PROFESSOR EMPREENDEDOR E A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO

Olá, aqui venho compartilhar um artigo, que foi publicado e apresentando no V seminário do PIBID e na VI Expociência Sul Capixaba em 2014, promovida pelo Centro Universitário São Camilo. Penso, que este tema seja pertinente a todos. Boa leitura.

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O PROFESSOR EMPREENDEDOR E A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO

DAMACENA, Alciones Rodrigues Junior[1]

SIMÕES, Yerecê Regina Medeiros[2]

FIORINI, Daniela Bissoli[3]

VIANA, Luciene da Silva[4]

 

 

INTRODUÇÃO

 

           O presente trabalho vem relatar a importância de o profissional docente possuir um perfil empreendedor, haja vista que sua constituição como docente se dá pelo o que ele é, o que se assume como sua responsabilidade e por assumir este cargo com competência.

           Baseado no livro “Pedagogia do Oprimido” do autor Paulo Freire, será  discutida a importância e a retribuição que se pode ter ao professor, dialogando-se também sobre as questões de opressão, ou seja, quem é o opressor, quem se sente sendo oprimido e como mudar isso.  A preocupação com o futuro docente está na discussão sobre o que se deve fazer para atuar de forma mais eficaz na educação, os obstáculos e desafios que todo professor encontra, situações essas que não podem levar esse profissional a agir de forma desanimadora.

            A proposta deste trabalho é refletir diretamente sobre o desânimo de alguns professores que já atuam nas salas de aula, como reagir neste caso e o que deve ser feito, pois os alunos são desinteressados e a culpa parece ser da família ou da escola.

MATERIAL E MÉTODOS

            A presente pesquisa trata-se de uma pesquisa bibliográfica, sendo elaborada sobre as reflexões realizadas em sala de aula, nas disciplinas de 1º período do Curso de Pedagogia e na prática vivenciada através das ações pedagógicas desenvolvidas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID-CAPES, em parceria com o Centro Universitário São Camilo – Espírito Santo, tendo como local de pesquisa uma Escola Pública Estadual de Ensino Fundamental do município de Cachoeiro de Itapemirim-ES.

DESENVOLVIMENTO

           Nos dias atuais torna-se notório que, assim como há diferentes disciplinas e escolas, também existem diferentes perfis de professores, que mesmo atuando num mesmo ambiente e conteúdo disciplinar, possuem distintos métodos de ensino. Observa-se que talvez seja essa falta de singularidade nos fazeres docentes, que leve a alguns alunos, mesmo inteligentes, não consiga atingir resultados positivos, por conta de fatores como: preguiça, cansaço, ira, doença e fatores externos a eles como a falta de dedicação docente em desenvolver práticas empreendedoras, que despertem o interesse dos alunos.

           O professor é responsável por seus alunos, tendo assumido o compromisso profissional de formar seus alunos como indivíduos capacitados e pensantes, o que muito é defendido por Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”.

Ao defendermos um permanente esforço de reflexão dos oprimidos sobre suas condições, não estamos pretendendo um jogo divertido em nível puramente intelectual. Estamos convencidos, pelo contrário, de que a reflexão, se realmente reflexão, conduz à prática. (FREIRE, 1987, p. 52).

           De fato o dever do professor não é brincar de mestre, e sim ser um verdadeiro guia do saber, buscando entender cada aluno individualmente, assim obtendo com certeza um bom trabalho desenvolvido, o que converge a ideia de apresso apresentado por Freire.

Há, por outro lado, em certo momento da experiência existencial  dos oprimidos, uma irresistível atração pelo opressor. Pelos seus padrões de vida. Participar destes padrões constitui uma incontida aspiração. Na sua alienação querem, a todo custo, parecer com o opressor. Imitá-lo. Segui-lo. Isto se verifica, sobretudo, nos oprimidos de “classe média”, cujo anseio é serem iguais ao ” homem ilustre da chamada classe “superior”. (FREIRE,1987, p.49).

          O opressor é visto claramente por toda a sociedade como ponto negativo. Então por que não mudar isso? Por que ficar se lamentando? A razão é que há na classe docente a indiferença de não perder o que às vezes se conquistou com muito esforço, e com isso o medo da inovação.

          Nesse contexto os professores, que possuem a experiência e formação, precisam para atuar, representar e fomentar junto aos demais professores os que propiciem a melhoria na educação e no sistema de ensino, para que o oprimido, no caso os alunos, possam talvez não deixar de existir, mas sim diminuir a subsistência.

          O professor numa visão empreendedora é aquele que possui a capacidade de formação e que sabe aprender a conhecer, conviver a ser e fazer, ou seja o domínio dos quatro pilares da educação. Além disso, se esforça para atuar e identificar os problemas de cada aluno e da educação como um todo. Independente de quanto se ganha, visa primeiro o trabalho e sabe como trabalhar a sua própria renumeração com seus próprios meios no ramo da educação, desenvolvendo: técnicas, projetos e novidades em sua atuação.

È que, se os homens são estes seres da  busca e se sua vocação ontológica é humanizar-se , porem, sedo ou tarde, perceber a contradição em que a “educação bancária” pretende mantê-los e engajar-se na luta por sua libertação. (FREIRE, 1987, p. 35).

            Fazer a diferença é isso que vale num profissional de respeito e caráter,  o bom professor é empreendedor de si mesmo sem esperar a presença ou atos de outros para se motivar, ele busca a resposta em si mesmo baseando na observação de seu mundo interior e exterior.

O quarto aspecto é sobre a compreensão humana. Nunca se ensina sobre como compreender uns aos outros, como compreender nossos vizinhos, nossos parentes, nossos pais. O que significa compreender? (MORIN, 2000, p.5).

            O professor é capaz de grandes ações de mobilização e efeito no sistema educacional, se ele se dedicar um pouco mais, seja na busca pelo compartilhamento de maior atenção aos alunos, identificando seus problemas e acompanhando de perto o que acontece em suas famílias.

Como exemplo de prática docente empreendedora pode-se destacar o projeto pedagógico desenvolvido como ação do Subprojeto de PIBID, em uma escola local em Cachoeiro de Itapemirim, com o nome Filosofia Amiga: O Super Boy, que visa através de amostra cinematográfica trabalhar com questões filosóficas, políticas e sociais, aprendidas pelos alunos nas aulas de Filosofia.  O intuito do projeto é fazer com que os alunos conheçam as cenas e possam buscar a interpretar, representar da melhor forma possível entendendo melhor como é a Filosofia e seus fundamentos.

           A importância ao docente é ao chegar o fim de cada ano letivo e  saber que o dever foi cumprido e que o conteúdo de ensino foi transmitido com qualidade além da percepção de que as aulas e os projetos aplicados foram capazes de conduzir seus alunos a uma boa formação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

            O professor empreendedor é pró-ativo, tem iniciativa e desenvolve competências e habilidades para criar projetos que promovam a formação dos alunos. O trabalho do professor empreendedor não inicia nem acaba na sala de aula, mas ao contrário, suas aulas é que são resultados de seu empreendedorismo.

            Portanto, é preciso que o professor empreendedor cuide de sua carreira, se construa como profissional competente, conforme as mudanças sociais, tecnológicas e filosóficas contemporâneas. Ele deve estar sempre antenado ao  mundo virtual, utiliza ferramentas tecnológicas com maestria, busca relacionamentos com outras áreas, exercendo outras atividades além das aulas.

A ousadia de ser mestre, mediador, professor está em suas mãos. A fase adulta, que já chegou e foi assumida por você, é o passo mais decisivo para se conviver com a responsabilidade da vida e a liberdade, conferidas pela sua competência e pelo seu status.(WERNEK, 1996)

            Atitudes empreendedoras podem promover mudanças não só nos ambientes de ensino e aprendizagem, mas também na sociedade. Ao ajudar a formar alunos mais autônomos, proativos e interessados, estão contribuindo para que esses estudantes tenham também um melhor desempenho profissional e pessoal.

 

REFERÊNCIAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

MORIN, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro.  Brasília: Cortez, 2002.

 WERNECK, Hamilton. Como vencer na vida sendo professor: Depende de você! Petrópolis: Vozes, 1996.

UNIÃO SOCIAL CAMILIANA. Manual de orientações para trabalhos acadêmicos. 3. ed. rev. amp. São Paulo: Centro Universitário São Camilo, 2012.